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VIH

21 Dezembro 2020

1. Quando foi descoberto o VIH?

Vírus da Imunodeficiêcia Humana (HIV) foi descoberto em 1981 por médicos americanos, que constataram o aparecimento de infecções oportunistas, pouco vulgares, num grupo de pacientes em particular. Estes indivíduos apresentavam uma imunossupressão sem qualquer motivo aparente. Após alguns estudos, verificou-se que este síndroma, até então desconhecido, causava a diminuição dos linfócitos T CD 4+ no sangue periférico.

Depois de 3 anos de estudo, chegou-se à descoberta do agente causador da doença, o HIV.

2. Um indivíduo morre com SIDA?

Ironicamente não, os indivíduos com SIDA não morrem por causa do vírus. Morrem devido ao facto de ficarem com as defesas muito baixas, num estado de imunossupressão, sendo a morte causada pelo aparecimento de infecções oportunistas, que, em indivíduos normais, não causam grandes complicações e nestes indivíduos causam a morte.

3. Quais são os sintomas que a doença provoca?

Durante a fase aguda, que ocorre quatro semanas após o contágio, algumas pessoas apresentam sintomas semelhantes aos de uma gripe, tais como febre, dores de cabeça, estômago e músculos, suores, fadiga e gânglios linfáticos aumentados.

Esta fase aguda, dura cerca de uma a três semanas, e os indivíduos recuperam naturalmente, devido à resposta do sistema imunitário. Os sintomas desaparecem e os seropositivos permanecem num período em que não apresentam sintomas durante diversos anos. 

Segue-se depois uma fase sintomática da infecção, em que o paciente começa a apresentar sintomas característicos de uma imunodepressão do sistema imunológico. O doente pode queixar-se de suores nocturnos, perda de peso, diarreia, perda de apetite, perda de cabelo, pele seca, entre outros sintomas.

A fase que se segue, é o Síndrome da Imunodefeciência Humana (SIDA), em que existe o agravamento da imunodeficiência, que comporta o aparecimento de infecções oportunistas.

4. Como actua o VIH?

O VIH é um vírus da família dos retrovírus e provoca a SIDA (Síndroma de Imunodeficiência Adquirida). Uma vez instalado no organismo, este vírus, para se desenvolver e reproduzir, invade e destrói um certo tipo de células do sistema imunitário, os linfócitos T CD4, que são os primeiros responsáveis pela defesa do organismo contra agentes patogénicos, tumores e infecções.

O vírus liga-se aos receptores existentes nas paredes dos linfócitos T e funde-se com estes. De seguida, o vírus usa o DNA do indivíduo, reproduzindo o seu DNA viral, formando novos VIH que são libertados na corrente sanguínea e vão infectar novas células.

Na fase final de evolução da doença, provoca uma diminuição da capacidade do organismo resistir a qualquer tipo de infecções, mesmo aquelas mais simples, tornando-as tão graves e difíceis de tratar, que acabam por causar a morte.

5. Qual o período de janela do VIH?

O período de janela é o período que decorre desde o momento em que se adquire a infecção até aos testes laboratoriais se tornarem positivos (pesquisa de anticorpos). Este período é, em média, de 3 a 6 semanas. Contudo, como nem todos somos iguais, existem pessoas que demoram mais tempo a desenvolver anticorpos contra o vírus que o normal.

O período de janela do VIH, pode ser de entre 3 semanas a 3 meses. No entanto, os médicos recomendam fazer novamente o despiste após seis meses de um possível contágio para ter a certeza que não existe infecção.

6. Como se transmite o VIH?

O VIH não se transmite pelo contacto directo normal com pessoas infectadas com o vírus, nem pelo ar. O vírus apenas pode infectar através de uma porta de entrada. O VIH é pouco resistente fora do corpo humano, podendo sobreviver até uma hora fora deste, exposto às condições ambientais.

A transmissão pode acontecer de três formas:

  • Através de relações sexuais;
  • Contacto com sangue infectado;
  • Da mãe para o filho, durante a gravidez, parto ou pela amamentação.

O HIV pode ser transmitido através dos vários fluidos corporais, como o sangue, sémen, fluidos vaginais e leite materno.

As portas de entrada do vírus podem ser através da partilha de seringas contaminadas, picadas acidentais, relações sexuais desprotegidas sem o uso de preservativo, através da amamentação, contacto directo do sangue de uma pessoa infectada com uma ferida aberta, possibilidade do contágio do feto no momento do parto ou durante a gestação.

A transmissão do vírus pode eventualmente ocorrer através de transfusões de sangue e de hemoderivados, mas, actualmente, esta via apresenta poucos riscos associados, uma vez que é obrigatório a realização de testes de despiste a todos os dadores.

7. Que medidas posso tomar para me prevenir contra o VIH?

Visto que hoje em dia ainda não existe a cura nem a vacina para precaver a infecção por VIH, a melhor solução é mesmo evitar certos comportamentos de risco. Deve-se usar sempre preservativo durante as relações sexuais, não partilhar agulhas, seringas, não partilhar material usado na preparação de drogas injectáveis e objectos cortantes, como os objectos para fazer tatuagens e piercings, de cabeleireiro, manicura e acupuntura.

É preciso também ter atenção a objectos que tenham estado em contacto com sangue, sémen e fluidos vaginais, que podem conter o vírus.

Existem ainda outros produtos, que não se vendem nos lugares menos comuns, que podem ser utilizados na protecção durante as mais diversas práticas sexuais.

8. Quem deve fazer o teste para o despiste do VIH?

Todos nós devemos fazer o despiste do VIH, não é só para aqueles que estão englobados nos grupos de risco. Esta é uma doença silenciosa e que só manifesta a sua presença passados longos anos. Tal como devemos ter todos os cuidados para nos prevenirmos de sermos infectados com o VIH, também devemos ter o cuidado de prevenir os outros quando infectados com esta doença, para que o VIH não continue a alastrar a toda a população.

A SIDA há muito que ultrapassou as barreiras que envolviam principalmente os homossexuais e toxicodependentes. Agora, é uma doença que pode qualquer pessoa pode contrair. Já não existem grupos de risco declarados, apenas existem comportamentos de risco que devem ser evitados ou conscientemente assumidos com o máximo de precaução.

Proteja-se a si próprio, proteja os outros. Pelo grande respeito que nos merece o direito à vida, à saúde, à tranquilidade, consulte a sua consciência. Se necessário, consulte o seu médico assistente em aidsportugal.com

9. Quais são os potenciais grupos de risco do VIH?

Os potenciais grupos de risco são os toxicodependentes, devido à partilha de seringas, os indivÍduos com promiscuidade sexual, devido à falta de uso do preservativo, e os profissionais de saúde que estão sempre sujeitos a acidentes, como picadas acidentais. Mas, nos dias que correm, já não existem grupos de risco, mas apenas comportamentos de risco, que devem ser evitados ou então minimizados.

10. Como é feito o diagnóstico laboratorial do VIH?

É efectuado através de testes para o despiste da presença do anticorpo e/ou antigénio do vírus no sangue periférico. Hoje em dia já existem testes de 4ª geração, que permitem a detecção muito precoce dos indivíduos infectados com o VIH, reduzindo o período de janela até ao mínimo de duas semanas, através da pesquisa de um antigénio do core do núcleo do HIV, o antigénio p24.

No entanto, os testes mais usados para o despiste do VIH, são a pesquisa de anticorpos no sangue, através dos testes ELISA (Enzime Linked Immuno-Sorbent Assay). Estes testes de 3ª geração permitem detectar o vírus, 3 a 4 semanas após a infecção pelo VIH. Contudo, devido as diferenças de indivíduo para indivíduo, não podendo haver uma certeza absoluta sobre os resultados negativos nos primeiros três meses após o contágio.

11. Como é feita a confirmação de um resultado positivo?

No caso de um teste de rastreio de VIH ser positivo, este tem que ser confirmado antes do resultado ser entregue ao utente. O soro do paciente é primeiro confirmado no próprio laboratório e depois é encaminhado para a Faculdade de Farmácia, onde são realizados os testes confirmados. O teste mais comum é o de Western Blot, que é um teste de Biologia Molecular.

12. Qual a diferença entre ser seropositivo e ter SIDA?

Uma pessoa que seja portadora do VIH é designada por seropositivo, isto é, uma pessoa que mediante os testes laboratoriais, teste positivo para o VIH, é designado seropositivo. Segue-se um período que pode ir de 10 a 15 anos, dependente da pessoa. Neste período, o vírus continua a replicar-se, mas o indivíduo não apresenta sintomas nesta fase, em que o organismo consegue repor a quantidade de linfócitos T CD4+ destruídos pelo vírus.

Quando o indivíduo deixa de ser capaz de repor o equilíbrio entre os linfócitos T CD4+ destruídos e os repostos na circulação, a contagem das células começa a baixar, passando a ter o Síndroma da Imunodeficiência Adquirida (SIDA), verificando-se uma baixa considerável das defesas do hospedeiro e as doenças oportunistas começam a aparecer.

Laboratorialmente, considera-se que um indivíduo saudável tem entre 500 a 1500 linf. T CD4 por mililitro de sangue. A seropositividade transforma-se em SIDA quando os linf. T CD4 baixam para menos de 200 por mililitro de sangue, ficando o organismo mais desprotegido contra infecções ou doenças oportunistas.

13. Que testes são usados no diagnóstico e monitorização do HIV?

Existem vários tipos de testes para diagnosticar e monitorizar o VIH. Os testes mais usados para o diagnóstico do VIH são através da detecção de anticorpos-VIH e determinação do antigénio p24.

Os testes usados para a monitorização do VIH são os testes de carga viral e a quantificação dos linfócitos T CD4, usados para determinar quando se deve iniciar a terapêutica, monitorizar a terapêutica e a progressão do vírus, devendo ser repetidos de três em três meses.

14. Nos recém-nascidos, filhos de mães seropositivas, como se pode saber se estes estão também infectados?

No caso dos recém-nascidos, filhos de mães seropositivas, os testes aos anticorpos tem uma particularidade, já que os recém-nascidos não conseguem produzi-los, recebem a imunização pelos anticorpos proveniente da mãe. Os anticorpos só passam a ser válidos ao fim de um período de 18 meses, período durante o qual, os anticorpos provenientes da mãe desaparecem.

Ao fim deste período, se a criança não apresentar anticorpos-VIH, este não se encontra infectado. Nestes casos, existe também a possibilidade de se fazer uma análise para detectar a presença de material genético do vírus, que dá a indicação se o recém-nascido se encontra ou não infectado com o VIH.

15. Qual é o tratamento?

Nos dias que correm, ainda não existe um verdadeiro e eficaz tratamento para a doença, como de resto, não existe tratamento médico para doenças provocadas por vírus. O ideal seria matar o agente causador tal como acontece para as infecções causadas por bactérias.

Nas doenças provocadas por vírus, a atitude médica a tomar consiste em criar defesas específicas no indivíduo contra a doença, através da administração preventiva de vacinas, para que, no caso da infecção surgir a doença não chegue a ocorrer. Neste momento, ainda não foi descoberta a vacina de prevenção para a SIDA.

Existe, no entanto um grupo de medicamentos que ajuda a diminuir a multiplicação do vírus, contudo, não cura nem destrói no entanto o vírus, apenas retarda a sua evolução através da inibição de algumas enzimas responsáveis pela multiplicação do vírus. Estes medicamentos apenas ajudam a prolongar o tempo de vida do indivíduo, contendo a infecção antes que esta atinga o Síndrome de Imunodeficiência, em que já não tem qualquer tipo de defesas contra as mais simples infecções.

16. Posso ficar apenas num estado de seropositividade, sem que esta passe a SIDA, não realizando o devido tratamento?

Não. Sem o tratamento indicado para os seropositivos, estes mais tarde ou mais cedo vão acabar por desenvolver a SIDA. A infecção por VIH tem a sua evolução natural até chegar a SIDA. Este período pode ser até 10 anos sem tratamento.

Com os tratamentos actualmente disponíveis, é possível modificar a evolução natural da doença, aumentando o período assintomático da doença, prevenindo assim o aparecimento de infecções e tumores oportunistas que se manifestam com o aparecimento da SIDA.

Para que este período seja alargado e a qualidade de vida seja preservada, todos os indivíduos seropositivos devem iniciar um tratamento com acompanhamento médico adequado.