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Vírus do Papiloma Humano e Cancro do Colo do Útero

21 Dezembro 2020

1. O que é o HPV?

O HPV (Vírus do Papiloma Humano) faz parte de um grupo de vírus capazes de infectar o colo do útero. Uma infecção por HPV que não desapareça, ou seja, que se torne persistente pode aumentar o risco para desenvolvimento do cancro do colo do útero.

Existem mais de 100 tipos de HPV, dos quais cerca de 40 podem infectar o tracto genital e são sexualmente transmissíveis.

As infecções genitais por HPV, são normalmente assintomáticas e resolvem-se, na maioria dos casos, de forma espontânea. No entanto, existem algumas infecções por HPV que podem provocar cancro do colo do útero, outros cancros e verrugas genitais.

Os tipos de HPV associados ao cancro, são designados por oncogénicos ou Tipos de Alto Risco. Existem 12 tipos de HPV de alto risco (16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59) reconhecidos pela Agência Internacional de Investigação em Cancro (IARC).

2. Qual a relação entre o cancro do colo do útero e o HPV?

Uma infecção por HPV é a causa necessária, embora não suficiente, para o desenvolvimento do cancro do colo do útero.

Muitas das infecções por HPV, são resolvidas naturalmente pelo organismo da mulher, especialmente em idade jovem. No entanto, cerca de 5 a 10% destas infecções podem persistir, o que aumenta o risco da mulher vir a desenvolver lesões pré-malignas no colo do útero. Se não forem detectadas e tratadas atempadamente, estas lesões podem evoluir para cancro do colo do útero.

Em Portugal, o cancro do colo do útero é o 3º cancro mais frequente nas mulheres. Tem uma taxa de incidência na ordem dos 12,2% e de mortalidade na ordem dos 3,6%.

A informação sobre a persistência de alguns tipos de HPV, pode ser crucial para a estratificação de risco de uma mulher vir a desenvolver cancro do colo do útero.

3. Em que situações se aconselha a utilização de um teste HPV?

Como sugere o novo consenso para a infecção HPV e lesões intra-epiteliais do colo, vagina e vulva da Sociedade Portuguesa de Ginecologia de 2011, o teste de HPV é aconselhado em:

  • Mulheres com idades superiores a 25 anos;
  • Após citologia com resultado ASC-US;
  • Mulheres na pós-menopausa com citologias LSIL;
  • Orientação pós-colposcopica (monitorização) em mulheres referenciadas por citologia com resultados AGC ou ASC-H.

4. Que tipo de resultados posso obter com testes de HPV?

Num teste de rastreio de HPV, podemos ter informação de:

  • Qual(is) o(s) tipo(s) de HPV presentes causadores de infecção;
  • Se a infecção é causada por tipos de AR (alto risco) ou BR (baixo risco).

5. Qual a importância de saber qual o tipo de HPV presente na infecção?

Distinguir se uma infecção de HPV é causada por um tipo de alto risco ou baixo risco, é útil para estratificar o risco de uma mulher vir a desenvolver lesões pré-malignas. Para tal, é necessário que haja uma infecção persistente. Para saber se é uma infecção persistente, tem de saber qual o tipo de HPV.

Informação sobre infecções mistas, que consoante o(s) tipo(s) de HPV, têm influência no prognóstico clínico (ex: mulheres imunodeprimidas e doente HIV-1 positivo).

Monitorização pós-tratamento: Se existir positividade do HPV pós-tratamento, permite prever possíveis recorrências de lesões CIN2+ e CIN3+. Tal só se consegue saber através de testes que determinem o tipo de HPV presente na lesão.

Monitorização da eficácia das vacinas de HPV (as presentes vacinas de HPV são para os tipos 16, 18, 6 e 11).

6. Qual a relevância clínica de saber o tipo de HPV?

É importante ter um teste HPV com sensibilidade e especificidade clínicas relevantes de forma a poder detectar com eficácia tipos de HPV, em casos CIN2+ ou em casos mais graves.

Em estudos recentes, foi realizada uma comparação entre “CLART HPV” com outros testes de HPV. Concluiu-se que o “CLART HPV” tem uma excelente perfomance quando comparado com o HC2 (teste com cut-off clínico definido) e tem ainda a possibilidade de detectar vários tipos de HPV, em infecções únicas ou mistas, num único teste.