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Hepatites Virais

21 Dezembro 2020

1. O que é a hepatite?

A hepatite é uma inflamação no fígado que, dependendo do agente que a provoca, se pode curar apenas com repouso, requerer tratamentos prolongados, ou mesmo um transplante de fígado quando se desenvolvem complicações graves da cirrose como a falência hepática, ou o cancro no fígado, que podem levar à morte.

Os vírus são a sua principal causa mas existem outras etiologias não virais tais como o excesso do consumo de álcool, e de outros produtos tóxicos como alguns medicamentos e químicos e algumas plantas. Existem ainda as hepatites auto-imunes resultantes de uma perturbação do sistema imunitário que, sem que se saiba porquê, começa a desenvolver auto-anticorpos que atacam as células do fígado, em vez de as protegerem. Existem seis tipos diferentes de vírus da hepatite (A, B, C, D, E e G).

A principal diferença entre os vírus é o seu modo de propagação e o impacto que exercem na saúde. A hepatite é, habitualmente, descrita como aguda ou crónica. A doença aguda é aquela que tem uma curta duração; enquanto que a crónica apresenta uma duração longa, por vezes com períodos de exacerbação e remissão. Quando a Hepatite B tem uma duração superior a seis meses, designa-se por Hepatite B crónica. 

Cada uma destas patologias implica sempre uma consulta médica e um acompanhamento adequado. Em muitos casos, ter hepatite não chega a ser uma verdadeira «dor de cabeça», já que o organismo possui defesas imunitárias que, em presença do vírus, reagem produzindo anticorpos, uma espécie de soldados que lutam contra os agentes infecciosos e os aniquilam. Mas, em algumas situações, estes anticorpos não são suficientes para travar a força do invasor e, então, é necessário recorrer a tratamentos antivíricos.

Embora haja ainda muito a estudar nesta área, a investigação científica tem percorrido um bom caminho na luta contra a doença, tendo já conseguido elaborar vacinas contra as hepatites A e B, (que permitiram reduzir consideravelmente a sua propagação) e descobrir substâncias (como os interferões) que podem travar a multiplicação do vírus e constituir uma esperança de prolongamento da vida para muitos doentes. Estes tratamentos, contudo, são dispendiosos e nem sempre estão disponíveis nos países em desenvolvimento, que são as zonas mais afectadas. 

Os vírus da hepatite podem ser transmitidos através da água e de alimentos contaminados com matérias fecais (A e E), pelo contacto com sangue contaminado (B, C, D e G) e por via sexual (B, C e D). Os vírus têm períodos de incubação diferentes e, em muitos casos, os doentes não apresentam sintomas. As hepatites A e E não se tornam crónicas, enquanto a passagem à situação da cronicidade é bastante elevada na hepatite C e comum nas hepatites B, D e G, embora esta última doença não apresente muita gravidade.

Ao contrário de outras doenças, os doentes com hepatite crónica podem ter um quotidiano muito próximo do normal, não sendo necessário ficarem inactivos, isolados dos demais ou cumprir dietas rígidas, mas devem conhecer as suas limitações e aprender a viver com a hepatite.

2. Como se transmitem as hepatites virais A, B ou C?

A Hepatite A é uma infecção de transmissão fecal-oral, contraída ao ingerir alimentos ou água contaminados com o vírus. As Hepatites B e C, são de transmissão parenteral, por contacto sexual, transfusão de sangue ou derivados, uso de seringas contaminadas com o vírus, contacto com sangue, secreções, urina, lágrimas, etc., de um paciente infectado. 

3. É possível diferenciar clinicamente o tipo de hepatite viral?

As Hepatites A, B e C, sendo as mais frequentes, são também indistinguíveis, já que em todas elas, os sinais e sintomas são comuns: icterícia, astenia, anorexia, etc. A história clínica, do caso em particular, pode orientar para o possível tipo de Hepatite, mas não obstante continua sendo inespecífico.

Uma percentagem menor de pacientes sofre uma Hepatite assintomática anictérica, o que explica que tenha evidência serológica, mas não o antecedente clínico de doença. Esta variedade é mais comum na infecção pelo vírus C (HCV).

4. É importante levar a cabo o diagnóstico diferencial e específico do tipo de hepatite?

Sim, já que a evolução e prognóstico é diferente entre as Hepatites A, B, e C. A Hepatite A tem um curso favorável, embora menos de 1% dos infectados possa evoluir para uma hepatite fulminante com uma mortalidade elevada. A Hepatite B pode resolver-se ou tomar caminhos diferentes, já que aproximadamente 50% dos casos se convertem em portadores assintomáticos potencialmente contagiosos.

10% dos doentes, desenvolvem Hepatite crónica, cirrose e insuficiência hepática. Além disso, o risco de cancro do fígado é muito maior em doentes com esta infecção. A Hepatite C pode ser assintomática em grande parte dos casos, e independentemente do curso sintomático ou não, mais de 75% dos infectados desenvolvem doença crónica e destes, 20% podem evoluir para cirrose e suas consequências, após 20 anos ou mais. Da mesma forma que o HBV, o HCV pode estar intimamente associado com o desenvolvimento de hepatocarcinoma.